Querido diário,
Dia 14 de Fevereiro de 2008 foi um dia de felicidade, de alegria, um dia passado com amigos. Sorri até não puder mais. Pelas 18:10 cheguei a casa e minha cunhada estava há minha espera, como é óbvio achei muito estranho, mas nada de mal me passou pela cabeça. Saí do autocarro e ela abriu o vidro exclamou: “o teu avô está pior”. Eu não reagi!
Entrei em casa pousei a mochila e as lágrimas caíram-me pelo rosto. “Meu avô eu amo-te tanto, mas Deus vai te levar” pensei eu, enquanto limpava o rosto para ir ao pé da minha mãe.
Assim que abri a porta da cozinha, a minha mãe e a Té estavam a chorar e a gritar. “Por favor filha não o deixes partir”, abraçou-se a mim e dizia isso repetitivamente. De novo as lágrimas percorreram o meu rosto. Nunca pensei que aquele dia ia ter um final tão triste! Já era um pouco tarde, e decidi deitar-me. Adormecer? Era coisa impossível. Dava voltas e voltas, rezava para que ele melhora-se. Aos poucos deixei-me dominar pelo cansaço e adormeci.
Novo dia surgiu, dia 15. Acordei com um pressentimento que algo ia acontecer, sentia que não devia ir para a escola. Assim que me levantei, fui ao meu pai e disse-lhe que: “Se algo acontecer por favor avisa-me”. No meio de tanta preocupação, de tanta dor já me esquecia que o meu irmão fazia anos. A caminho da paragem do autocarro liguei lhe dei-lhe os parabéns, mas ele rápido desligou.
Entrei no autocarro e a Rute já estava a minha espera, encostei-me ao ombro dela e chorei, chorei e chorei. Ela com as suas palavras ia-me tentando acalmar. Saí do autocarro e fui até a escola, cheguei lá e tentei acalmar-me, mas pouco tempo depois chegaram meus amigos, a primeira pessoa que abracei foi a Tânia, pois ela viu-me e perguntou-me o que se passava e eu nem palavras tive para dizer, simplesmente a abracei com muita força e chorei no seu ombro. A Mariana mexia-me no cabelo, de seguida, chegou o pessoal todo, a Catarina e a Andreia abraçaram-me e perguntaram-me o porquê de estar assim. “O meu avô vai morrer” foi tudo que consegui dizer naquele momento. Tocou, e nós íamos ter natação. Chegamos lá, e o Armando, aproximou-se de mim, abraçou-me e deu-me um beijo e disse força amiga. Sentei-me para ver se parava de chorar e me conseguia controlar. O Armando, a Mariana e a Andreia faziam de tudo para que eu sorri-se. De vez em quando, lá aparecia um sorriso na minha cara mas muito murcho, pois não estava bem. Entretanto, a aula terminou. A caminho para a escola, encontrei um primo que me perguntou pelo meu avô e eu disse que ele não estava bem, mas não quis adiantar pormenores. Como demorei um pouco na conversa fiquei para trás, mas a Mariana e a Eliana, esperaram por mim, quando entrei no recinto escolar, cruzei-me com a uma rapariga e ela disse que queria falar comigo. Parei e quando ia começar a falar com ela o meu telemóvel começa a vibrar, era o meu pai. “Vai para a entrada do liceu que o mano vai-te buscar porque o avô já morreu” disse o meu pai, mal atendi a chamada, com uma voz de sofrimento. Desliguei, olhei para a Mariana, com os olhos cheios de água, e disse: “o meu avô morreu”. Abracei-a e chorei. A Eliana nem sabia o que dizer.
O meu mano já estava à minha espera, e eu nem tempo tive de avisar os meus amigos mas pedi à Mariana para que lhes dissesse. Mas ainda tive tempo de avisar a Rute, como tinha prometido.
Entrei na carinha e nem uma palavra disse. Assim que cheguei a casa fui logo ao pé da minha mãe, abracei-a e disse ele está aqui para sempre. De seguida, perguntei Té e a minha mãe disse que ela estava no quarto. Fui ao pé dela e assim que olhei para ela chorei ainda mais. “Porquê isto?”
Contudo ainda não estava em mim que o tinha perdido para sempre, o corpo ainda não tinha chegado, e por mais que me dissessem que ele tinha falecido, eu não tinha consciência do que tinha ocorrido, da gravidade.
Preto e mais preto. Escuridão! O corpo estava prestes a chegar, e passado poucos minutos ali estava ele! Deitado e sorrindo… Olhei para o meu irmão, e ele alagado em lágrimas, agarrou-se a mim a chorar, levou-me para a cozinha e juntos chorávamos, deitávamos tudo cá para fora, mas a dor permanecia! Eu nem forças tinha, mas levantei-me e fui à sala.
Olho, e ali estava ele “parecia um anjo”, peguei na mão dele e disse: «Amo-te para sempre, cuida de nós» e voltei para junto do meu irmão. Ele agarrou-me com tanta força, e disse-me: “Porquê mana? Porquê no dia dos meus anos? Nunca mais quero que me cantem os parabéns.” Nem uma palavra tinha, juntos chorávamos. Dor, dor, dor! Sofrimento!
O ambiente estava muito pesado, as pessoas começaram a chegar para nos darem a sua força. Eu estava sempre ao pé da urna, junto dele, junto do meu avô, do meu pai, do meu anjo!
O meu tio Paulo, mesmo com a dor dentro dele, agarrava-se a mim e dizia-me: “linda, tem calma, não chores”, mas eu não conseguia, olhava para o meu avô, e lembrava-me de todas as coisas lindas que ele me ensinou, de tudo que vivemos juntos.
O tempo passava e as pessoas aumentavam. Eu já estava a ter noção das coisas. Ele já não ia estar mais comigo, pelo menos fisicamente. O meu pai já não ia estar mais comigo!
O relógio marcava 10 horas da noite, quando a minha amiga Andreia veio ao pé de mim, agarrou na minha mão e disse-me para eu ter força. Eu só me agarrava a ela a chorar. Ela desde esse momento nunca mais me deixou. Já era tarde, e eu estava muito mal já não tinha forças nenhumas, não queria comer nem dormir, apenas queria tar ao pé dele agarrada à Andreia.
A sala estava repleta de gente e com o cheiro das flores eu não me estava a sentir bem. A Andreia levou-me logo para a rua, para apanhar um pouco de ar. O meu pai veio ao pé de nós e disse-me para eu ir dormir, mas eu não queria, mas a Andreia levou-me. Gritos, lágrimas, dor!
Os meus primos estavam deitados na cama da minha mãe, e eu e a Andreia ficamos na minha, eu não conseguia dormir. Assim que fechava os olhos revia momentos que passamos juntos, os sorrisos, os abraços, tudo! Ela fazia-me imensas festinhas, para ver se me acalmava e acabava por adormecer. O meu tio Zé, tinha acabado de chegar de França e foi ao pé de mim, dar-me um beijinho e eu ainda não dormia! Sofrimento!
Passado alguns minutos, o meu primo mais velho veio para ao pé de mim a chorar, a dizer que não consegui dormir. Deitei-o ao meu lado, fiz-lhe festinhas e ele adormeceu, enquanto que o mais novo, de apenas 2 aninhos, só chorava porque não via a mãe.
Contudo, já eram 2:30 da manhã, e eu sem descansar. Ela já tinha tentado adormecer-me vezes sem conta e acabava sempre por acordar. Uma noite horrível. Uma noite de desespero. Uma noite sem o beijinho dele. Levantei-me, vesti-me e vim logo para baixo, a Andreia teve de ir a casa mudar de roupa, e eu fiquei na sala com a minha mãe. Nem sabia o que dizer, ela estava tão mal, e eu com a dor que tinha dentro de mim não tinha palavras. Mãe e filha perdidas! Abraços!
Tanta dor, tanta dor! O tempo passava a correr, e em breve em saberia que ia levo partir, levo a fechar o livro da vida!
A Andreia chegou e voltou para ao pé de mim. Lágrimas! A hora do adeus estava perto muito perto.
Eu já não conhecia ninguém, não sabias quem vinha ao pé de mim dar-me os “sentimentos”. Estava perdida, eu precisava dele!
O cheiro a flores era cada vez mais intenso e tive de vir novamente para a rua. O Padre acabara de chegar e era sinónimo de partida. Gente, muita gente que assistiu à sua partida.
Estava de rastos e quando olho já a urna estava a ser tirada de casa, do seu lar, do nosso lar pai! Senti aperto dor, e quando olhei estavam lá os meus amigos, para me dar força.
Hora da partida, hora de ir para a capela. De mão dada com todos os amigos que me apoiaram naquele dia, naquela hora, eu sentia-me cada vez mais fraca. Fui ficando para trás com eles e fui a última a chegar à capela. Ele estava de novo ali, de novo a sorrir. “Não, não, não me deixes!”
A missa terminou, “eterno descanso”! Como sempre ele pediu, ia fechar o livro na terra onde nasceu e cresceu, Sta. Eugénia. “Fui com ele, até ao último segundo”.
Cemitério. Agora sim, tinha a plana consciência de tudo, de tudo o que aconteceu. Adeus. Dor. Saudade.
Sentia-me fraca, muito fraca, mas ela estava a acompanhar-me e levou-me até junto dele. A urna estava à minha frente de novo aberta e num abrir e fechar de olhos … era a despedida. “Porquê isto pai? Porquê agora? Não.”
Beijo na testa, sinal de respeito como tu sempre me ensinas-te e assim foi. Assim me despedi de ti, abracei-me, gritei, chorei, chamei por ti e beijei-te na testa pai.
Elas não me queriam deixar ir até tu ires para aquele buraco fundo e feio mas eu pedi e gritei e fui. Vi-te avô, vi-te pai, a ires para aquele poço e eu não poder ir contigo. Dor. Lágrimas.
Partiste para outro mundo, meu anjo. Entras-te naquele buraco feio avô. Terra. Por mais fraca que estava eu ainda peguei na terra e deitei por cima de ti, avô. Melhor amigo.
Chegou a hora de me vir embora, de vir de novo para a nossa casinha dos segredos. A minha mão estava coberta de terra. Saudades. Sofrimento.
“És o meu maior orgulho neta. Esta é a última vez que me vais ver. Já não entro a esta casa vivo. Mas promete-me que não deixas a Té.” Tu tiveste razão avô, neste domingo que me disses-te isto foi mesmo a última vez. No hospital não me deixaram entrar, não me deixaram ver-te. Mas agora pai, és a minha estrela, o meu tesouro. Amarteei para sempre, meu verdadeiro pai!
“Posso não te ver, nem te tocar, mas vou te amar para sempre!
Orgulho de tudo avô.
Preciso de ti!
Pai, saudade!
A vida é injusta eu sei! Tira-nos tdo que mais amamos quando mais precisamos. Pois então ficamos, e se ficamos é porque temos uma missão, ele parti-o mas deixou-te aqui, deixou-te aqui com uma missão, como "discipulo" dele. Pois então é isso que tu vais fazer, sendo fiel e demonstrando esse amor todo! Tenho fé que vais cnseguir, pq és capaz! Ele dá-te força como mais ninguem dará, eu sei que por ele moverás este mundo e tds mais que apareçam! Força nessa luta!
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